21 de março de 2010

Pés sujos

Eu não sei você, mas eu sou sempre tentado com a idéia de invulnerabilidade, como querer chegar à perfeição antes de por a mão na massa, de não por o pé na lama para atravessar o pântano, de limpar a casa e querer que ela ficasse limpa para sempre, e coisas do tipo...

Talvez você também tenha essa dificuldade, talvez você passe por isso às vezes, mas Jesus, já sabendo desse perigo, ensinou o "princípio do pé-sujo" aos discípulos quando deu o maior exemplo de liderança serva de toda a Bíblia. (João 13)

Quando a Bíblia fala sobre pés e caminho, geralmente está falando de conduta e comportamento, como nos textos: "quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas" e "a sua Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho".

Mas antes da última ceia, Pedro em um de seus acessos de extremismo, vai de "não sou digno de me lavares" para "me lave por completo". Jesus diz que eles só precisam lavar os pés, porque o corpo todo já estava limpo.

Agora, isso me intriga.

Quero dizer, nós suamos e nos sujamos todo o dia, e precisamos de um bom banho para a coisa não ficar feia! Por que Jesus estava preocupado em lavar só os pés dos discípulos? Será que ele estava pensando em usar os pés para comer?

Como ele orou mais tarde para seu Pai - quando pediu para que não nos tirasse do mundo mas nos livrasse do mal - creio que Jesus estava mostrando a seus discípulos que o único meio de alcançarem os perdidos seria pondo os pés no mundo, assim como Ele fez.

Com muita ironia, o Santo Deus, Jesus, veio ao mundo no lugar mas sujo possível, bem onde os animais passam a noite, um lugar não muito limpo e cheiroso, só para nos mostrar que ele estava disposto a ir tão longe e tão baixo para nos salvar.

O que impede muitos de verem assim é essa diabólica mentalidade de "super-santo-levitando-não-me-toque-pecador-imundo" que não faz parte do Evangelho.

Jesus nunca quis nos isolar do mundo e das pessoas que vivem no mundo, Jesus é santo e não precisa que ninguém "lave" sua conduta. Mas Jesus também sabe que só Ele pode nos lavar da sujeira que fica impregnada em nós quando estamos em contato com o mundo.

O que estou querendo dizer é que Jesus não quer irmãos acovardados com medo de se contaminar com o mundo - porque quem age assim provavelmente vai se contaminar mesmo - mas quer irmãos à sua semelhança, "fortes e corajosos", dispostos à por o pé na lama, chegando tão perto dos mais vis pecadores como Ele chegou, confiantes de que o irmão mais velho vai ficar com o "trabalho sujo" da limpeza.

E justamente por isso ele deixou aos líderes a responsabilidade de lavar os pés de seus discípulos, ou seja, de estar cuidando da sujeira do mundo que possa ter ficado grudada em seus pés.

É algo mais ou menos assim que os apóstolos faziam em suas cartas, corrigindo as igrejas ao redor do mundo e as incentivando a mostrar cada vez mais o amor de Cristo.

Irmãos, vamos rever nossa conduta e nos arrepender das atitudes de repugnância e de desprezo para com os pecadores, seus costumes e condutas, como se a nossa "cultura cristã" fosse superior e mais santa, e dá idéia de que as pessoas precisam ser perfeitas para serem aceitas por Cristo.

Quem nos santifica é Cristo. Quem nos purifica é Cristo. Quem nos enche de amor pelos perdidos é Cristo.

Não é ridicularizando e menosprezando a música secular que vamos mostrar o quão santos nós somos.

Não é com medo de olhar nos olhos de prostitutas , ladrões e todo o tipo de pessoas "indesejadas" que vamos mostrar como somos tão amados por Jesus.

Não é com nojo de pegar na mão de um bêbado ou de abraçar um mendigo ou um homossexual que evitaremos nossa contaminação.

Não é tentando estabelecer um critério de qual filme é e qual não é "maligno" que ficaremos com a mente mais pura, não meus irmãos, é pelo poder renovador da Palavra de Deus que lava aquilo que Jesus disse ser a fonte de onde saem os maus desejos, as invejas, os homicídios: o nosso coração.

Eu quero ser como Jesus, e você?

9 de março de 2010

"Por ques" de um crente

Se "ir à igreja" não salva ninguém - mas conhecer a Jesus - então por que nos sentimos ofendidos quando não-convertidos permanecem congregando? Não foi Judas amado até o fim? (Tiago 2.1) Se Jesus confrontou os fariseus por julgarem pelas aparências, por que nós nos escandalizamos com a moda dos mais jovens? (Mateus 23.25) Por que é que obrigamos todo o cristão a se encaixar nos moldes de presbítero de I e II Timóteo quando "tudo já está consumado" e que eles só precisariam guardar três coisas básicas contidas na carta aos gentios? (Atos 15.28) Por que é que condenamos o fumo, o namoro, a pirataria, a cerveja e a música secular ao mesmo tempo que estamos numa situação muito mais delicada quando não vivemos o que pregamos, o que foi considerado por Jesus como pior do que se matar? Por que buscamos nos isolar e isolar nossos filhos de contato como as coisas que consideramos mundanas quando Jesus - que consideramos como Senhor e Deus, dono da verdade e que não diz uma coisa errada - pediu ao Pai, que não fizesse isso com a gente, mas estivesse com a gente no vale da sombra da morte, nos livrando do mal, como orou? (João 17.15) Por que consideramos uma pessoa "salva" e logo a sobrecarregamos de responsabilidades religiosas quando Jesus disse que vida eterna é conhecer a Deus conforme? (João 17.3) Por que insistimos em usar os mesmos velhos métodos quando nem mesmo Deus ao longo dos milênios usou o mesmo meio para se revelar aos homens, mas usou o mesmo meio para se revelar aos homens, mas usou fazendeiros, ciganos, escravos, assassinos, guerreiros, juízes, pastores, reis, profetas e... pescadores e ladrões? Por que sempre dizemos às pessoas que Jesus morreu pelos pecados delas e esquecemos que ele morreu pelo nosso também? Pois parece que quando chegamos à falsa maturidade, fazemos o possível para que o menor número de pessoas possa saber que pecamos, e quando somos questionados, nos justificamos com veemência. Por que invocamos em querer que a congregação fique em pé quando deveríamos nos lembrar que nossos exemplos na Palavra são de joelhos dobrados e rosto no chão? Por que levantar as mãos se tornou algo tão banal sendo que é algo para se fazer em santidade e temor? Por que, ao lermos perguntas como essas ficamos pensando em quem se encaixaria melhor a cada uma, nos esquecendo que somos um e como "um" deveríamos nos humilhar, orar e nos arrepender de nossos pecados, como Daniel fez por seu povo? O tempo em que procurávamos um bode expiatório para por a culpa acabou há mais de dois mil anos atrás quando Deus assumiu a culpa, quando nem foi Ele quem errou...